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segunda-feira, 30 de abril de 2007

Estamira

Documentário - A linha de partida do filme é o imaginário rico e complexo de uma senhora de 63 anos. Mas o que conduz e enriquece ainda mais o documentário é que Estamira, mulher pobre, sofrida, que tira seu sustento do lixo e assim não dependa da família para sobreviver, fala, discursa o tempo todo. São suas idéias e reflexões que estão ali, sua interpretação sobre política e sobre Deus. Sua alucinação se mescla com lucidez. Estamira tem surtos psicóticos e nós somos jogados nesse universo particular. O documentário facilmente poderia cair na banalização da miséria, ou na simples estetização da pobreza, mas, ao contrário, Estamira é humanizada, tem vida. Para o filme de Marcos Prado é preciso mais do que simples compreensão, é necessário sensibilidade: Estamira está escancarada em sua humanidade completa e complexa, e fala sob os efeitos colaterais da desigualdade social brasileira. Luiza Delamare

quinta-feira, 22 de março de 2007

É tudo verdade.

Documentário - Começa hoje a 12a edição do maior festival de documentários da América Latina, o "É Tudo Verdade". Durante treze dias, serão exibidos 141 filmes do mundo inteiro, classificados dentro de quatro categorias: longas e curtas brasileiros, e internacionais. Amir Labaki, idealizador e organizador do festival definiu a edição deste ano como “muito experimental”, com muitas pesquisas de linguagem. Biografias de brasileiros como o escritor José Lins do Rego, o documentarista Linduarte Noronha, muito importante para o Cinema Novo, e um filme que não chega a ser uma biografia, mas que mostra o cotidiano da cantora Maria Bethânia, por detrás dos holofotes. Além dos brasileiros, documetários que estiveram no Oscar, “Jesus Camp” e “Iraque em Fragmentos”. Um destaque, este uma grande curiosidade, filme que faria um retrato positivo do cineasta Michael Moore e que mudou de rumo no decorrer do processo, o “Fabricando Polêmicas, desmascarando Michael Moore”. Enfim, apesar das dicas de um grande especialista em verdade que é Amir Labaki, 141 títulos devem ser suficientes para a satisfação do paulistano nestas próximas duas semanas. De acordo com o site do festival, os filmes podem ser vistos no CCBB, Itaú Cultural, Cinusp, Centro Cultural São Paulo e no Cinemark Eldorado. Eu achei estranho o festival não estar no Unibanco Artplex, por exemplo. Por isso, melhor é conferir o Guia da Folha nesta sexta, ou ir até uma dessas salas de cinema porque nesses festivais sempre fazem um belo roteiro, na maioria das vezes gratuito. Aí a gente aproveita pra fazer o nosso plano, selecionando os melhores filmes, seus horários e a sala para passar a tarde toda no cinema. Quando estes festivais acontecem não se pode desperdiçar. Magê Flores

segunda-feira, 19 de março de 2007

Promessas de um Novo Mundo

Documentário - Nem só de estréias vive a cultura. Promessas de um Novo Mundo é um documentário de 2001 que merece comentário. Com a proposta de descobrir o que crianças judias e palestinas vivem, sentem e pensam, o filme mostra como independente da religião essas crianças tem que lidar desde cedo com a obrigação do ódio e a esperança, ainda que tímida, de paz. Opiniões herdadas do sofrimento de familiares, rancores, são entrelaçados com depoimentos espontâneos que abrem brecha para mostrar que ainda são crianças essas pessoas que tem seu cotidiano tão absorvido pelo conflito da região. O documentário ainda consegue promover o encontro entre crianças judias e palestinas que aceitam se conhecer. Apesar de trazer como cenário a dominação israelense no local, Promessas de um Novo Mundo não aborda as causas sócio-econômicas do conflito, que fica restrito ao impasse religioso e à disputa pela “terra sagrada”. Com um encontro entre palestinos e judeus que dificilmente aconteceria sem a ajuda do diretor B. Z. Goldberg e a frase do menino Yarko que diz que torce pela paz, mas que ela não faz parte do seu dia-a-dia, fica claro que essas promessas de um novo mundo estão longe de acontecer. Luiza Delamare

quinta-feira, 15 de março de 2007

Edifício Master

Documentário - O diretor Eduardo Coutinho apresenta o cotidiano dos moradores de um edifício de Copacabana durante 7 dias. Um documentário sem ensaios e atores, mas cheio de personagens. Personagens que parecem ter sido meticulosamente criados pela imaginação de algum autor e desenvolvidos em cenas muito ensaiadas. Nada disso. Pessoas comuns que moram num prédio de 12 andares, com mais de 20 apartamentos por andar, apenas dando depoimentos que em diversos momentos, nos diverte e entristece ao mesmo tempo. Cativante e maravilhoso, exatamente pelo fato de sabermos que aquilo é a realidade e nada foi inventado. O documentário ganhou o prêmio de Melhor Documentário, no festival de gramado. O sentimento que fica é que todos ali tem algo em comum: a solidão. Anna Gerner
 
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