Documentário - A linha de partida do filme é o imaginário rico e complexo de uma senhora de 63 anos. Mas o que conduz e enriquece ainda mais o documentário é que Estamira, mulher pobre, sofrida, que tira seu sustento do lixo e assim não dependa da família para sobreviver, fala, discursa o tempo todo. São suas idéias e reflexões que estão ali, sua interpretação sobre política e sobre Deus. Sua alucinação se mescla com lucidez. Estamira tem surtos psicóticos e nós somos jogados nesse universo particular. O documentário facilmente poderia cair na banalização da miséria, ou na simples estetização da pobreza, mas, ao contrário, Estamira é humanizada, tem vida. Para o filme de Marcos Prado é preciso mais do que simples compreensão, é necessário sensibilidade: Estamira está escancarada em sua humanidade completa e complexa, e fala sob os efeitos colaterais da desigualdade social brasileira. Luiza Delamare






