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segunda-feira, 4 de junho de 2007

Som barato

Música - Para quem gosta da boa música brasileira, esse é o lugar! O blog do Som barato é um espaço colaborativo de pesquisa sobre a música brasileira. As pessoas entram, sugerem, pedem, suplicam álbuns, discos antigos, raridades. Ao mesmo tempo deparam com uma lista sem fim de nomes de cantores ou bandas dos quais, certamente, nunca ouviram falar. É um espaço para a descoberta dos anônimos que cantam deliciosamente a MPB e para o deleite de outras fases dos conhecidos e famosos. Além disso, o blog tem um sistema para baixar os discos que é revolucionário. Em poucos minutos você consegue ouvir o que quiser. Vale a pena pelo menos dar uma passada por lá! Luiza Delamare

quinta-feira, 17 de maio de 2007

O João que sabe fazer pensar e sentir

Livro – Apesar de Manuelzão e Miguilim ser composto por duas novelas, vou me concentrar na história de Miguilim. Nesta parte do livro, João Guimarães Rosa apresenta o ponto de vista de um menino de 8 anos, com suas descobertas e expectativas. Mostra a vivência de Miguilim, que quer entender as pessoas e as coisas a sua volta. O mundo infantil é tratado de forma delicada e sensível. A história se passa no Mutum, lugarejo pobre das Gerais, que envolve o menino e faz com que ele descubra aquele universo e entre em contato com o mundo animal e vegetal. A relação de Miguilim com a família também é bastante explorada pelo autor, ao mostrar que o amadurecimento do menino vem exatamente desse contato familiar e da passagem da infância para uma fase mais experiente, construída com dor e sofrimento.
João Guimarães Rosa já tem o prestígio que merece. Manuelzão e Miguilim é mais uma de suas obras-primas. Leia, vale a pena. Um contato com a literatura sensível e humana de Guimarães Rosa é indispensável. Luiza Delamare

terça-feira, 8 de maio de 2007

Sou fã, sim senhor!

Música - Foi no domingo da Virada Cultural que surgiu a oportunidade de assistir ao show do Chico César. Música boa, perto de casa e de graça. A proposta era realmente irrecusável! Deixei pra sair de casa minutos antes do show começar. Achei que o palco seria montado ao ar livre. Na minha cabeça, a procura pelo show seria pequena. Engano meu. As pessoas formavam filas e desformavam, desesperadas para conseguir o tal ingresso. Entrei no teatro e me acomodei. Chico César apareceu em um palco onde só havia mais um violão e uma guitarra, mas ele deixou os dois de lado e cantou sua primeira música sem nenhum acompanhamento. Ou melhor, o cantor estava acompanhado de toda a alegria dos que conseguiram seu lugarzinho para ver o show. Para a surpresa dos privilegiados, Chico César parou sua cantoria e convidou todos que tinham ficado de fora para entrar e se acomodar no palco. O público foi ao delírio com a decisão do cantor. Sua humildade e simpatia cativaram. Depois disso, foi delicioso ver como as pessoas interagiam, batiam palma, cantavam, aprendiam. Gente de todas as tribos, senhoras com mais de 60 anos, pessoas simples, crianças curtiam a poesia musicada de Chico César. Luiza Delamare

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Estamira

Documentário - A linha de partida do filme é o imaginário rico e complexo de uma senhora de 63 anos. Mas o que conduz e enriquece ainda mais o documentário é que Estamira, mulher pobre, sofrida, que tira seu sustento do lixo e assim não dependa da família para sobreviver, fala, discursa o tempo todo. São suas idéias e reflexões que estão ali, sua interpretação sobre política e sobre Deus. Sua alucinação se mescla com lucidez. Estamira tem surtos psicóticos e nós somos jogados nesse universo particular. O documentário facilmente poderia cair na banalização da miséria, ou na simples estetização da pobreza, mas, ao contrário, Estamira é humanizada, tem vida. Para o filme de Marcos Prado é preciso mais do que simples compreensão, é necessário sensibilidade: Estamira está escancarada em sua humanidade completa e complexa, e fala sob os efeitos colaterais da desigualdade social brasileira. Luiza Delamare

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O Carteiro e o Poeta

DVD - Lançado em 1994, O Carteiro e o Poeta é um filme mágico. Consegue ser arte, poesia, ter um fundo político e mostrar como se desenvolve uma profunda amizade. Pablo Neruda, exilado em uma ilha italiana, recebe diariamente sua correspondência pelas mãos do carteiro Mário Ruoppolo. O encanto que o poeta exerce sobre as mulheres ao falar de amor, desperta a curiosidade do carteiro, que se aproxima pouco a pouco da poesia e de Neruda. No começo do filme já fica claro que Mário, filho de um pescador, não quer seguir os passos do pai: o mar lhe causa enjôo. Ao procurar seu próprio caminho, o carteiro, quase analfabeto, depara com as metáforas, as palavras, a conquista da bela Beatrice Russo e as idéias políticas de Neruda. Agora, Mário busca meios de reivindicar seus direitos e o dos pescadores. A linda trilha sonora e a atuação magnífica de Massimo Troisi no papel do carteiro completam a obra-prima. Luiza Delamare

sábado, 14 de abril de 2007

A Praça agradece

Teatro - Mais uma vez a Praça Roosevelt deixa de ser cenário para se tornar ator principal. É o mote recheado de relações complexas que demonstra como a vida cotidiana vira peça de teatro. A companhia Os Satyros está em cartaz com a terceira parte da trilogia que fala sobre a praça. “E se fez a Praça Roosevelt em sete dias” completa o projeto que teve início em 2004 com “Transex”, que mostrava a relação entre atores, travestis e traficantes. Em 2005, “A Vida na Praça Roosevelt” retratou a visão de uma estrangeira sobre o lugar. Nesta última etapa do projeto, a companhia traz uma peça diferente a cada dia da semana e convidou atores, diretores e dramaturgos que convivem com a Roosevelt para participar da criação do projeto.
É com um ar típico de domingo que as pessoas tomam cerveja e esperam a peça começar. Ao som do pequeno sino, é formada uma fila um tanto irregular, as pessoas se misturam, entregam o ingresso insistentemente carimbado, passam pelo ‘palco’, onde já está em cena um homem, sentando, de cabeça baixa, que fuma sem parar. Finalmente, as pessoas se ajeitam na platéia. Começa “Uma Pilha de Pratos na Cozinha”. Em um apartamento da Praça Roosevelt, quatro amigos expõem suas vulnerabilidades, a dependência das drogas, os arrependimentos e relacionamentos. Enfim, mostram a vida e como ela pode refletir a morte.
O Projeto “E se fez a Praça Roosevelt em sete dias” permanece em cartaz até 30 de junho. O Espaço dos Satyros fica na Praça Roosevelt, 214. Os ingressos custam 10 reais. As apresentações são sempre às 19 horas. Luiza Delamare

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Festival SESC dos Melhores Filmes de 2006

Cinema - Começou na última terça-feira o Festival SESC dos Melhores Filmes de 2006. O evento faz uma retrospectiva respeitável com filmes escolhidos pelo público e pela crítica. Além dos premiados O ano em que meus pais saíram de férias (melhor filme nacional na opinião do público) e Cache (melhor filme estrangeiro para o público e para a crítica), o festival traz títulos como Volver, Boa noite e Boa Sorte, Pequena Miss Sunshine, O Céu de Suely, entre outros. Foi também na terça-feira, durante o Festival, que eu pude matar minha vontade antiga de assistir a Paradise Now. O filme fala sobre dois jovens amigos que são escolhidos por um grupo de palestinos para realizar um ataque como homens-bomba em Tel Aviv. A discussão em torno do uso da violência no conflito Israel-Palestina é mais uma vez colocada em cena, mas o filme tenta retratar particularmente como esses dois amigos lidam com a morte e por que eles aceitam participar desse ataque. Vale a pena. O Festival fica em cartaz até o dia 19. Os ingressos custam 4 reais, estudantes pagam 2. O Cinesesc fica na rua Augusta, 2075. Luiza Delamare

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Itaú Contemporâneo

Exposição - A exposição Itaú Contemporâneo – Arte no Brasil 1981-2006 reúne nos três pisos expositivos do Itaú Cultural obras que dão um panorama do que é a produção artística atual no país. São 127 trabalhos criados por artistas brasileiros nesses últimos 25 anos. Ao visitar a mostra, você poderá notar que foram trabalhados tanto o aspecto cronológico quanto a variedade de conceitos e provavelmente vai se deparar com obras conhecidas que já fizeram parte de grandes instalações pela cidade afora, ou mesmo reconhecer objetos corriqueiros que agora fazem parte da arte contemporânea. O projeto espacial da diretora de teatro Bia Lessa apresenta certa polêmica: segundo os artistas, suas obras deveriam ser exibidas de modo tradicional, isto é, na parede. Ao invés disso, a exposição do Itaú Cultural tenta inovar e põe as obras no chão e um espelho no teto. A curadoria é de Teixeira Coelho, a exposição vai até 27 de maio e consegue, sim, pôr o público em contato com essa variada arte contemporânea brasileira. Vale a pena. Luiza Delamare

terça-feira, 27 de março de 2007

Elza Soares e seu primeiro DVD, Beba-me

Música - “Toma tua água e me dá um pouco, toma energia e me dê um pouco, uma troca de carinho, de amor, sem preconceito, troca de liberdade.” É assim que Elza Soares define seu show e explica o nome do seu primeiro DVD, Beba-me. De fato a palavra troca simbolizou a apresentação dessa última quinta-feira, no palco do Sesc Vila Mariana. Sem medo de expor sua fragilidade, Elza, que foi operada há pouco tempo, cantava ao lado de uma cadeira. Usava-a para sentar, sambar, apoiar-se e dar mais charme a uma apresentação em que o público vibrava e se sentia à vontade para interagir. “Patrimônio nacional”, gritava uma menina, enquanto Elza respondia cantando um repertório marcado pelo samba. Com ousadia, a cantora tirou o microfone da boca e o apoiou nas pernas. Sua voz rouca e forte se fez ouvir perfeitamente até da última fileira do mezanino. Elza ainda aproveitou para falar do artista-arteiro-brasileiro, ressaltou a dificuldade de fazer e reconhecer a arte popular e acabou por definir o que ela representa no cenário da MPB. A gravação do DVD contou ainda com um momento pós-bis. Com cara de ensaio, duas músicas foram insistentemente repetidas até que o diretor artístico, José Miguel Wisnik, aprovasse. Luiza Delamare

segunda-feira, 19 de março de 2007

Promessas de um Novo Mundo

Documentário - Nem só de estréias vive a cultura. Promessas de um Novo Mundo é um documentário de 2001 que merece comentário. Com a proposta de descobrir o que crianças judias e palestinas vivem, sentem e pensam, o filme mostra como independente da religião essas crianças tem que lidar desde cedo com a obrigação do ódio e a esperança, ainda que tímida, de paz. Opiniões herdadas do sofrimento de familiares, rancores, são entrelaçados com depoimentos espontâneos que abrem brecha para mostrar que ainda são crianças essas pessoas que tem seu cotidiano tão absorvido pelo conflito da região. O documentário ainda consegue promover o encontro entre crianças judias e palestinas que aceitam se conhecer. Apesar de trazer como cenário a dominação israelense no local, Promessas de um Novo Mundo não aborda as causas sócio-econômicas do conflito, que fica restrito ao impasse religioso e à disputa pela “terra sagrada”. Com um encontro entre palestinos e judeus que dificilmente aconteceria sem a ajuda do diretor B. Z. Goldberg e a frase do menino Yarko que diz que torce pela paz, mas que ela não faz parte do seu dia-a-dia, fica claro que essas promessas de um novo mundo estão longe de acontecer. Luiza Delamare
 
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